quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ética: Pautada na ciência ou na religião?


Assuntos como religião e ciências - enquanto opositores na formação do conceito de ética - sempre foram responsáveis por boas discussões, tanto em nível científico como em mesas de bares. Poucas coisas têm tanto poder de atiçar os ânimos dos debatentes quanto os assuntos ligados a valores morais e/ou religião. Penso não ser exagero falar que, ao se propor uma discussão nessa área, o fracasso é inevitável caso tenhamos como objetivo chegar ao final do debate com alguma conclusão definitiva.

Num primeiro momento poderia nos parecer razoável que discussões acerca de bioética, por exemplo, considerassem apenas aspectos tangíveis ou científicos, excluído tanto as questões religiosas quanto as ideológicas, pensando que assim estaríamos afastando da mesa de discussões, os motivos de maior polêmica, possibilitando uma maior concentração no que podemos comprovar através do método científico. No entanto, não podemos simplesmente desconsiderar questões intrínsecas da natureza humana, como a fé, pois muitas das consequências de decisões tomadas nesta área permeiam este campo. Mesmo para quem defende uma ou outra visão da questão com toda convicção que se pode ter, deve ao menos ponderar o contraditório.
Sem precisar procurar muito, observaremos uma diversidade de opiniões a respeito do tema: Uns pendem para o lado da ciência, outros para a religião, alguns são totalmente apático a uma ou outra ideia e simplesmente se fecham para a oportunidade de aprender com a diversidade. No século XIX, acreditava-se que a ciência acabaria por sepultar a religião, uma vez que oferecia respostas universais às perguntas que antes era oferecida de maneira relativa pela religião. No entanto o tempo nos mostrou que a cada descoberta da ciência acerca da formação do universo, o papel de Deus neste processo parecia aumentar numa progressão geométrica: As grandes descobertas nos mostravam que a complexidade da criação ia muito além da narrativa bíblica sem, no entanto, invalidá-la.
Ciência e religião não precisam andar separadas, e acredito que a polêmica que envolve esta questão, possa encontrar nessa afirmação, a oportunidade necessária para uma discussão menos passional: ora, não é necessário ser religioso para admitir a importância das religiões para o aperfeiçoamento ético das sociedades influenciadas por elas, nem tão pouco é preciso ser cético ou ateu para atribuir à ciência toda a sua importância para o desenvolvimento de uma ética pautada em princípios universais onde os opostos encontram a convergência inquestionável do experimento científico.