Quantas vezes nos deparamos em uma situação que nos fez perceber que a decisão que nos levou a tal condição não era a ideal? Isto acontece justamente nas decisões mais importantes, uma vez que essas parecem não admitir uma segunda chance sem que se perca um tempo precioso em nossas vidas ou em nossas carreiras. Geralmente são decisões que tomamos sobre um assunto que ainda não dominamos por falta de experiência. Acontece que a experiência ou o domínio necessário sobre o assunto só vamos adquirir no decorrer do percurso escolhido “às cegas”. Nestes casos, tendemos quase que invariavelmente a insistir no erro sob o argumento de que "já não vale mais a pena voltar atrás" , ou talvez o orgulho nos leve não admitir o erro, seja perante nossas próprias consciências ou perante nossos superiores, nossos pares ou até mesmo perante nossos subordinados.
Em um projeto de cinco anos, por exemplo, depois de passados dois, não queremos admitir que perdemos esse tempo todo, ou ainda pior: que fizemos nossa equipe ou a empresa onde trabalhamos perder tempo e dinheiro por causa de uma decisão precipitada de nossa parte. Então ao invés de corrigir o erro, o agravamos ao decidir seguir desperdiçando mais três anos frustrantes na tentativa inócua de provar que estávamos certo. Não podemos esperar do tempo que passou nada mais do que a experiência adquirida, então a ponderação que deveríamos ter em uma situação dessas é: Perder mais três anos ou entrar nos trilhos e garantir uma maior probabilidade de sucesso considerando que agora a nova decisão está subsidiada pela experiência. O orgulho ou a frustração com algo que deveria ser considerado natural acaba por nos fazer perder uma grande oportunidade que só acontece após a experiência adquirida com os erros.
É claro que podemos questionar: Não poderíamos ter tomado a decisão certa logo de início avaliando com clareza as opções disponíveis embasados na experiência de outras decisões semelhantes ou de decisões supostamente idênticas tomadas por outras pessoas ou empresas em situação análogas? A resposta é: se a decisão que estamos tomando for qual marca de eletrodoméstico comprar, provavelmente sim. Mas quando falamos de decisões empresarias, que dependem de combinações de fatores intrínsecos das organizações e ainda de fatores contingenciais totalmente imprevisíveis que somados formam combinações de ambiente praticamente infinitos, é bem mais provável que cometamos alguns erros até acertarmos a mão.
Para não se correr o risco de parecer tão eufêmico ou simplista, podemos dizer que talvez caiba julgamento quanto ao momento em que resolvemos convergir nossa decisão: será que não demoramos demais para reconhecer o erro? Ou quantas vezes tivemos que reavaliar nossa postura para situações semelhantes: Será que não temos utilizado em excesso essa premissa? De qualquer forma, a reconsideração é sinal de coerência e sensatez, não de fraqueza. O tempo, se bem administrado, sempre estará a nosso favor e o reconhecimento de um erro em tempo para correção é uma forma eficiente de administrá-lo.

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